A história de superação de Eloísa

Você já ouviu falar em um deficiente visual que tem a vida bem comum? Aquela pessoa que pega ônibus, avião, anda de um lado para o outro, usa a internet, trabalha, etc…? Então, hoje vamos contar um pouco da história da interna Eloísa Cristina Ferreira, de 39 anos. 

Elô é natural de Itabira, interior de Minas Gerais e têm outras sete irmãs. Ela perdeu a visão por causa de um glaucoma congênito, uma doença hereditária que atinge o nervo óptico e ocasiona perda de células específicas da retina, e se não cuidada, vai causando a perda da visão. 

Eloísa foi alfabetizada de maneira habitual, mas começou a perder a visão aos 9 anos. Foi obrigada a interromper os estudos aos 17, quando começou a aprender o braile. A visão foi perdida por completo com 21 anos, e Elô também tem uma irmã que não enxerga desde os 5. Mas, embora repleta de dificuldades, sua trajetória traz consigo muitas conquistas. 

O começo foi um dos momentos mais difíceis. Mas com o suporte familiar, desde cedo aprendeu a lidar com a limitação com maior facilidade. “Apesar da dificuldade, tem muitas pessoas com problemas maiores. Eu ando, falo, consigo fazer praticamente tudo”, relata Eloísa. “Como minha mãe sempre me criou com bastante liberdade, ajudou muito a viver com essa deficiência de forma mais leve”, conta. 

Eloísa sempre esteve presente a encontros sozinha, pegando ônibus e até avião para se locomover. Ela ainda diz que os obstáculos que aparecem no seu caminho servem até mesmo como estímulo, pois servem de impulso na busca pela vitória. 

De certa forma, a cegueira também ajudou Elô a vencer a timidez. Ela teve que começar a perguntar, aprender a conviver com sua limitação e dependência inicial de outras pessoas. Com o tempo, essa timidez foi sendo rompida, e hoje ela consegue falar diante de uma classe inteira, dar palestras, responder perguntas… 

Há mais de 23 anos trabalha na FCD – Faculdade Cristã para pessoas com Deficiência. Foi nesse trabalho que aprendeu sobre a necessidade de ajudar o deficiente visual, mas principalmente sobre a necessidade de ensina-lo a andar sozinho. “O ideal é que o cego saiba que você está ao lado para ajudar, mas o que ele pode fazer, é fundamental que ele faça, tenha sua autonomia”, conta a interna. 

Nesse trabalho, Eloísa atende 7 núcleos em Minas Gerais, cumprindo a agenda estadual. Ela fica responsável por levar material para o trabalho aos núcleos interioranos, além de realizar o plano de ação da instituição. Como funcionária, ainda assume os dois núcleos existentes em Belo Horizonte, e cumpre a Agenda Nacional. Mas, sua segunda gestão chega ao fim ano que vem, e ela decidiu entregar o cargo. Não porque não goste de desempenhar sua função, mas porque acredita que a oportunidade é tão enriquecedora que deve ser compartilhada com outras pessoas. 

Antes de trabalhar na FCD, Eloísa foi massagista por dez anos em Itabira, onde tinha um consultório que fechou para fazer curso em Belo Horizonte. Hoje, ela faz um curso de Auxiliar Administrativo, com ênfase em atendimento ao público. A mudança para a capital foi bastante enriquecedora, e ela nem cogita o regresso. “Belo Horizonte oferece novos horizontes e oportunidades, nos impulsiona ao crescimento”, confessa. Entretanto, ela tem planos de continuar a desenvolver sua profissão de massagista na capital. Ela vai integrar uma equipe de plantão para empresas na Associação de Masoterapeutas de Minas Gerais. 

O que Elô ainda espera, é que sua maior dificuldade também seja vencida: o preconceito e a falta de preparo da sociedade para tratar o deficiente visual. Além do preconceito, a maioria das pessoas não está preparada para lidar com o cego. “O mercado de trabalho evoluiu muito nos últimos anos, mas ainda há muito a ser melhorado”, acrescenta. 

Essa é, sem dúvida, uma linda história. Estaremos contando semanalmente uma parte da história de cada interna do Lar das Cegas. Acompanhe!

Um comentário sobre “A história de superação de Eloísa

  1. Parabéns pelo poste. São histórias como essa de Eloísa que podem mudar a maneira da sociedade nos enxergar como pessoas capazes de viver como qualquer outra pessoa. A maioria das pessoas nos veem como inúteis e inválidos, mas a nossa maior limitação é o preconceito que sofremos.

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